Para entender o Brasil

fevereiro 8th, 2010

 

 

 

Para quem se interessa pelo Brasil e pretende conhecê-lo melhor, recomendo a leitura de dois livros que serão lançados nesta terça-feira, dia 9.

                O primeiro deles é História do Brasil com Empreendedores, de Jorge Caldeira, autor entre outros, de Mauá, o Empresário do Império. Estou lendo o livro e gostando muito.

                O segundo é “A classe média brasileira: ambições, valores e projetos de sociedade”, de Amaury de Souza e Bolívar Lamounier.

                O Estadão deste domingo (no caderno Aliás) publicou um artigo dos autores, espécie de síntese do que os leitores encontrarão no livro.

                Para ler o artigo, clique no link abaixo:

                http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100208/not_imp507884,0.php

 

 

 

madeira Amaury de Souza, Bolívar Lamounier, Brasil, Classe C, Jorge Caldeira

O PT não perde a chance de defender o atraso

fevereiro 8th, 2010

É evidente que Lula tem seus méritos, apesar dos inúmeros equívocos que ele patrocina. E o maior deles – dos méritos – foi ter dado um chega pra lá no PT, jogando na lixeira suas teses econômicas, retrógradas e amalucadas. Se parte delas tivesse sido aplicada, o Brasil estaria disputando com a Venezuela o título de “o país que mais consegue se autodestruir em poucos anos”, por conta dos equívocos de seus dirigentes.

                Lula teve tino ao manter os pilares da política econômica de Fernando Henrique: metas de inflação, câmbio flutuante, superávits primários. É certo que, para favorecer sua candidata ao Palácio do Planalto, nos últimos anos, passou a promover uma gastança jamais vista neste país, para usar expressão que lhe é tão cara. Não é fácil eleger um poste.

É igualmente certo que o mérito de Lula seria ainda maior se ele tivesse a honestidade intelectual de reconhecer os acertos dos outros, em vez de maldizer, por cinismo, o que cultiva. Mas não se pode exigir honestidade intelectual de quem não a tem. Seria desonesto…

                Logo após o Carnaval, o PT vai promover sua micareta. Reunidos para aclamar a “mãe” daquela fantasia a que eles deram a alcunha de PAC, os “companheiros” divulgarão alguns “princípios” que nortearão o programa de um eventual governo petista: maior presença do Estado na economia e fortalecimento e ampliação das empresas estatais. O PT, como se pode constatar, não aprende nunca.

                Lula já associou estado forte à alta carga tributária. Deve achar que a do Brasil é baixa. Fortalecer – e ampliar – as empresas estatais, na linguagem dissimulada do petismo, nada mais é que aumentar o número de cargos públicos, em especial os de confiança, criados justamente para dar sustento e vida fácil aos companheiros.

                As idéias do PT continuam sendo o que sempre foram: um salto no escuro e para trás. E a candidata do presidente parece mesmo ser pessoa indicada para implantá-las.

 

 

 

madeira Aparelhamento, FHC, Governo Lula, Lula

O petismo é adepto da censura. E Dilma?

fevereiro 8th, 2010

De 18 a 20 de fevereiro, logo após as folias carnavalescas, o PT realizará, em Brasília, o seu 4º Congresso Nacional. Os “companheiros” vão se debruçar sobre um documento intitulado “A grande transformação”, que servirá de base para o programa de governo da candidata que Lula lhes impôs goela abaixo.

                No tal documento, segundo noticiam os jornais, estará a defesa de maior interferência do Estado na economia, ampliação e fortalecimento das estatais e a realização de conferências nacionais para subsidiar o Executivo na definição de políticas públicas. Tais conferências – em geral, tão animadas quanto inúteis, mas sempre pagas com o dinheiro dos contribuintes – são uma verdadeira obsessão do petismo. Uma obsessão tão forte quanto o desejo confesso de criar comitês para cercear a imprensa.

                Duas perguntas não se calam:

                1. Os petistas terão a coragem de explicitar, de colocar de forma objetiva, sua ojeriza à liberdade de imprensa?

                2. E o que pensa Dilma sobre a censura?

 

 

madeira Censura, Dilma Rousseff, Imprensa, PT

A ministra dos 40%

fevereiro 8th, 2010

O governo acaba de fazer o nono balanço quadrimestral do PAC.

                Eis o resultado: em três anos, o governo investiu 63,3% dos recursos previstos e concluiu 40,3% das obras previstas.

                A ministra-candidata está convencida do sucesso do PAC. Segundo ela, “este programa mudou as condições de se investir no Brasil”. Mudou mesmo, para pior. Como demonstram as inúmeras irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União, declarado inimigo número 1 do Palácio do Planalto.

                É lícito supor que, se a ministra se contenta com 40%, uma vez eleita (toc-toc-toc) fará de tudo para manter o desempenho-padrão. Vai lutar para implantar 40% de suas propostas. É grande o risco de que priorize as piores.

 

 

 

madeira Dilma Rousseff, Eleições, PAC

Dilma, por Augusto Nunes

fevereiro 8th, 2010

Jornalista experiente, Augusto Nunes é uma das melhores penas do país.

                Acompanhar seu blog é sempre prazeroso.

                Na semana passada, na quinta-feira, dia 4, ele publicou um artigo que merece ser lido.

                O texto vai abaixo, em itálico.

 

O sumiço dos grandes tribunos e a farsa da bichinha palanqueira

 

“A bichinha está palanqueira”, decidiu o presidente Lula, caprichando na pose de professor de eleição, depois de outro discurso indigente de Dilma Rousseff. O padrinho sabe que a afilhada é um desastre. O que não sabe é que ele próprio é um palanqueiro bisonho. Bom animador de auditório, quase sempre em sintonia com o público presente, Lula está para um mestre da oratória como estão os senadores brasileiros para um estadista inglês.

O improviso de comício é o monólogo teatral em sua variação mais intensa, misteriosa e bela. Quem hipnotiza plateias com o monólogo de Hamlet talvez não consiga chegar ao fim do discurso na praça. Quem comove multidões com o monólogo no palanque brilhará em qualquer palco.

O grande ator interpreta cena por cena uma peça teatral que alguém criou. Segue o roteiro que memorizou e a plateia não pode modificar. O grande tribuno vai criando palavra por palavra a peça retórica admirável na forma e sólida no conteúdo. Segue um esboço de roteiro cujo desenvolvimento terá de improvisar e redesenhar com frequência, para ajustá-lo às reações da multidão.

O domínio do palanque , que pode ser montado na boleia de um caminhão ou num estúdio de TV, é uma forma superior de inteligência política. Os que são dela providos se expressam com o mesmo magnetismo na boleia de um caminhão ou num estúdio de TV, que transformam em palanque eletrônico. Carlos Lacerda e Jânio Quadros, por exemplo, já esbanjavam competência na tela no minuto seguinte ao da chegada da televisão ao país.

Faz tempo que o Brasil virou um deserto de tribunos. Não é de hoje que se transformou num viveiro de oradores de botequim. Mas a Era da Mediocridade foi longe demais: pela primeira vez, um presidente da República escolhe para sucedê-lo no cargo alguém incapaz de expressar-se de modo inteligível.

Nas transcrições literais dos falatórios de Dilma Rousseff, não se encontra uma única frase sem incorreções, um único parágrafo sem derrapagens, um único raciocínio consistente, uma só ideia que denuncie um cérebro em atividade. Cada declaração é um espanto. Cada discurso é um naufrágio.

Para Lula, a bichinha já está palanqueira e vai longe. Esse não sabe o que diz. São ainda piores os que que enxergam Dilma como ela é e fazem de conta que estão vendo o que não há. Esses não dizem o que sabem. Esses fizeram a opção preferencial pelo cinismo.

 

Para visitar o site de Augusto Nunes, clique no link abaixo:

 http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/

 

 

 

madeira Augusto Nunes, Dilma Rousseff, Lula

Um registro

fevereiro 1st, 2010

Caros:

                Este blog completa hoje, 1º de fevereiro, um ano.

                Nestes doze meses, lá se foram, além deste, 368 comentários.

                Que outros 368 venham até 1º fevereiro de 2011.

                Nunca duvidei da paciência e da generosidade de vocês.

                Por isso, lhes sou grato.

                Obrigado.

    Abraço.

                Madeira

               

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Para Lula, governar é gastar mal!

janeiro 29th, 2010

No ano passado, entraram nos cofres do Tesouro Nacional R$ 39,2 bilhões (1,25% do PIB) a mais do que foi gasto. Aparentemente alta, a quantia economizada, na verdade, acende a luz amarela na evolução das contas públicas. No ano anterior, o saldo positivo – entre receita e despesas – fora bem maior: de R$ 71.4 bilhões (2,38 do PIB).  

                À diferença entre o que entra e sai no cofre dá-se o nome de superávit primário. Esta economia não é feita, como seria desejável, para viabilizar investimentos futuros, mas, sim, para atender uma urgência: saldar parte dos juros da dívida pública interna e evitar que ela exploda e inviabilize o país.

                Parênteses: dados do Banco Central, divulgados nesta quinta-feira, 28, mostram que a dívida líquida do setor público saltou de 37,3% do Produto Interno Bruto, em 2008, para 43%, em 2009. Aqui, estão computados os “papagaios” dos governos estaduais, municipais e empresas estatais.

                Parênteses fechado, voltemos ao governo federal. Segundo ele, o superávit primário encolheu por conta da crise econômica mundial – responsável primeira e única pela recessão e conseqüente queda na arrecadação de tributos. O governo também lembra que seu caixa sofreu abalos em razão das desonerações fiscais, que diminuíram o IPI cobrado de uma série de produtos. Medida adotada para preservar empregos e estimular a economia.

                SEM NOVIDADES

                Isto tudo é verdade. Mas não é toda a verdade. O que, em se tratando do governo atual não chega a ser novidade.  O fato é que, em 2009, suas despesas de custeio cresceram (em termos nominais) 15,3%. Só aquelas relativas a pagamento de pessoal subiram 16,5%: em 2008, elas foram de R$ 143,4 bilhões; em 2009, de R$ 167,1 bilhões. Uma diferença de R$ 23,7 bilhões – quantia superior ao que o governo estima ter deixado de arrecadar por conta das desonerações: R$ 21 bilhões.

                O que ocorreu com as contas públicas em 2009 foi uma espécie de crônica de um problema desde há muito anunciado: a administração Lula é adepta da tese de que governar é gastar. E, se for possível, gastar mal, criando desnecessariamente novos cargos e funções, concedendo aumentos tão generosos quanto injustificáveis, sob qualquer ponto de vista.

                De janeiro de 2003 a dezembro de 2009, foram criados, por lei, 182.431 cargos e 45.690 funções gratificadas. Juntos, somam 228.121 novos postos de trabalho. É claro que, para tanto, o governo contou no Congresso com o apoio da mais poderosa das bancadas – a da “gastança” com o dinheiro público.

                É justamente esta sinergia entre a gula do Palácio do Planalto e a vontade comer da bancada da gastança que nos preocupa, porque mais despesas virão por aí. A Câmara Federal já aprovou sete projetos de lei, que tramitam agora no Senado. Eles criam 22.590 cargos e 187 funções. E está prestes a votar outros 54 projetos. Se aprovados, vão criar outros 36.657 cargos e funções.

                  Ante um quadro desses, surpresa mesmo seria se as contas públicas estivessem nos trinques.

 

(FOTO: PALÁCIO DO PLANALTO, “USINA DA GASTANÇA”. DE RENATO ARAÚJO/ABr)

 

madeira Carga tributária, Despesas públicas, Impostos

Amanhã será outro dia…

janeiro 29th, 2010

 

Poupar nunca foi mesmo nosso forte, tanto na esfera pública quanto na privada.

Somos, para usar expressão branda, imprevidentes, adeptos da velha máxima de que o futuro a Deus pertence, de que amanhã, como diria o Conselheiro Acácio, será outro dia. E nos esquecemos de que ele – não Deus, o futuro –, cedo ou tarde, apresenta a fatura.

                O problema não está em gastar, mas em gastar o que não se tem, em não reservar um níquel que seja para o amanhã. A gastança desenfreada do governo Lula, que conta com o apoio entusiasmado do Congresso Nacional, não só impede que o país invista mais em infra-estrutura, na saúde e educação, mas também inviabiliza a redução da carga tributária.

                É simples assim: mais gastos, mais impostos; mais impostos, menos dinheiro no bolso dos cidadãos e produtos mais caros. Tudo em troca de serviços públicos abaixo de qualquer suspeita. É o que temos.

                No discurso, não há congressista que não critique a elevada carga tributária. Mas, na prática, a maioria endossa alegremente o aumento de despesas proposto pelo governo. E, se puder, dá um jeito de ampliá-las.

                No ano passado, o presidente Lula sancionou 290 leis: 129 delas (44,5%) tratavam de aumento de despesas.

                Preparem os bolsos, o ano é eleitoral.

 

 

 

madeira Carga tributária, Despesas públicas, Impostos

Lucros, demagogia e irresponsabilidade

janeiro 28th, 2010

Se o governo presidido por Luís Inácio Lula da Silva fosse sério, ele se incomodaria menos com a aparência e mais com o conteúdo de suas propostas. Mas há não nenhuma chance de que isso venha ocorrer. O presidente é daquele tipo que anuncia um programa e acha que, a partir de então, tudo estará resolvido. No dia seguinte, ele lança outro plano qualquer (ou inaugura uma pedra fundamental), gaba-se do que não saiu do papel e continua tocando a vida com aquele orgulho típico dos justiceiros.

O que lhe importa é sair bem na foto. Para tanto, vale tudo. E mais um pouco.

           Lula e seu governo desfrutam de grande popularidade, contam com apoio da maioria dos deputados e senadores. Logo, poderiam ter-se empenhado nas reformas estruturais de que o país tanto necessita. Optaram pela perfumaria, pelo caminho fácil da distribuição dos pães e dos salários pagos pelos contribuintes. Mas, de olho no calendário eleitoral, ameaçam agora inundar o Congresso Nacional com projetos demagógicos, autoritários, perniciosos para o país e para os que dizem defender. Refiro-me aos que vivem de salário.

                No Fórum Social Mundial, que teve início esta semana em Porto Alegre, divulgaram um pacote de projetos na área trabalhista, todos eles com a suposta intenção de favorecer os trabalhadores. 

    O mais polêmico deles, por intervencionista, estabelece que as empresas brasileiras terão que dividir 5% de seu lucro líquido com os funcionários. Ante a reação imediata de setores da sociedade, representantes do governo alegaram que a medida ainda está em estudo nos ministérios. Que isso é coisa que só será definida em dois, três meses. O ministro do Trabalho, no entanto, foi incisivo. Segundo ele, em ano eleitoral, parlamentar nenhum fará oposição à proposta.

  O que representantes do governo não respondem é sobre o que fazer quando uma empresa der prejuízo: cortar salários?

Lula e seu governo sabem muito bem que não há tempo hábil para discutir, aprimorar e aprovar uma proposta desta magnitude e complexidade em tão curto espaço de tempo. De julho a outubro, Câmara e Senado ficarão às moscas. O que eles querem, insisto, é sair bem na foto e, assim, tentar alavancar os índices de intenção de voto para a candidata governista.

Ocorre que não estamos apenas ante uma das inúmeras demagogias eleitoreiras que os embala. Irresponsáveis, trabalham para afugentar investimentos. Fingem ignorar que não há nada de graça neste mundo e que a aprovação de um treco desses, na prática, é a criação de mais um encargo social. O que levará as empresas, na análise do professor José Pastore, a fazer o ajuste ou pelo lado do emprego ou pelo lado do salário. Ou seja: quem vai pagar a conta é o trabalhador.

De qualquer forma, já conseguiram o que queriam: fazer média com os participantes do Fórum e com as centrais sindicais.

E a vida continua.      

              

 

madeira Empresas, Governo Lula, Participação nos lucros, reforma trabalhista

A modéstia de sempre

janeiro 28th, 2010

De Lula, na terça-feira, 26, em discurso no Fórum Social Mundial, na capital gaúcha:

                “Há cinco anos, o Brasil está na força de paz no Haiti. Ensinamos ao mundo como é uma força de paz sem ingerência nas questões políticas”.

                A pergunta inevitável: “O mundo aprendeu a lição do mestre”?

 

 

madeira Haiti, Lula