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02/09/2010
O que dá para rir...
 
Não são poucos os desafios que o futuro presidente e o novo Congresso Nacional terão pela frente. O mais urgente deles é a modernização - e fortalecimento - de nossas instituições, que não acompanharam a evolução do país nos últimos tempos.
A imagem do Parlamento é a pior possível, muito embora possa piorar ainda mais, nem que seja para contrariar a falação daquele humorista-candidato. As pessoas estão convencidas de que cadeia é coisa para pobre, graças à morosidade da Justiça e à "incompetência" com que os inquéritos são conduzidos. Tantos erros não podem ser fruto apenas da incompetência. A conivência interesseira, não raro, fala mais alto. O Executivo federal é aquela água: cobra muito imposto, mas a saúde não funciona, a educação idem, a segurança ibidem. Parte de sua popularidade vem da desinformação; outra da inegável capacidade que seu comandante tem para engabelar as massas.
Mas, para enfrentar os problemas que precisam ser enfrentados, é preciso contar com um presidente que tenha uma agenda legislativa - algo que o atual, apesar de sua esperteza inconteste, não faz a menor idéia do que se trata. E contar também com um Parlamento disposto a recuperar a credibilidade perdida.
Sei que o atual sistema eleitoral, na prática, quase que impede o eleitor de escolher de forma consciente seus representantes no Legislativo, graças ao número excessivo de candidatos e de legendas. Por isso, defendo o voto distrital majoritário nas eleições de legisladores.
O que não dá é para jogar a toalha, fazer piada, brincar com o voto. Creiam: no Parlamento, há gente séria, de diferentes posições políticas. Gente que merece sua atenção. Para que o riso fácil, não se transforme, amanhã, em pranto sobre o leite derramado.
30/08/2010
O silêncio dos complacentes
 
Lula goza de alta popularidade, como demonstram todas as pesquisas de opinião. Outros tantos já gozaram de popularidade semelhante, por mais ou menos tempo que ele. Em geral, em coisa boa não deu.
Einstein disse: "Meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado."
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É incrível. Mas, por aqui, não se vê indignação contra a violação de sigilos bancários, fiscais, telefônicos...
Somos tontos, desinformados ou coniventes com o arbítrio?
30/08/2010
Vamos falar de caráter?
 
Analistas das mais variadas tendências e interesses são unânimes em afirmar o óbvio: que o próximo presidente da República, seja ele quem for, terá que promover um ajuste fiscal. Ou seja: terá que controlar as despesas públicas correntes, que o governo de Lula, sobretudo no segundo mandato, tratou de levar às alturas - por mero oportunismo eleitoral. Não há saída. Do contrário, o orçamento explode. E este filme ninguém quer ver mais.
Ou controlamos os gastos. Ou aumentamos os impostos. É simples assim.
Você acredita em demiurgo? Em "salvador da pátria"? Em pai e mãe dos pobres? Em alguém que, por falso iluminado, seja capaz de revogar a lei da gravidade? Você acredita em almoço de graça ou em café da manhã "na faixa"? Você acredita que dá para ampliar investimentos ou diminuir impostos ampliando os gastos públicos de forma irresponsável?
Claro que não.
Ora, então, por que a gente teria que acreditar nos "compromissos" de uma candidata que se gaba do que não fez e de currículo acadêmico que jamais teve, mas que foi orientada a lutar, por conta do oportunismo eleitoral, por aquilo que sempre teve ojeriza: o equilíbrio fiscal?
Se ela acreditava na importância de se manter as contas sob controle, se sabia que isso era - é - fundamental, porque não colocou uma tranca na porta da gastança promovida pelo governo do qual se "orgulha" de ter feito parte?
Eleição é mais que discurso, mais que currículos, verdadeiros ou não.
Eleição é, sobretudo, comparação entre o caráter dos candidatos.
30/08/2010
Os "acertos" de Lula
 
Às vezes, me perguntam se Lula não fez nada certo, se eu o considero uma espécie de Midas às avessas.
A meu ver, ele fez duas coisas positivas, mas por péssimas razões. O que, a rigor, não surpreende ninguém. O que move nosso presidente é a oportunidade.
Lula desistiu de enviar uma emenda constitucional ao Congresso ampliando a possibilidade de reeleição dos ocupantes de cargos Executivos - a começar pela presidência da República - não por princípio, mas porque temia levar uma sova do Senado. Ele não perdoa os senadores por terem colocado ponto final no "imposto do cheque".
Lula manteve os fundamentos econômicos definidos nos governos de Itamar Franco e FHC. Fez bem. Mas, deles não abriu mão, porque não tinha nada viável para colocar em seu lugar.
As idéias do PT (sobretudo) no campo econômico são imprestáveis. Se elas tivessem sido implantadas, estaríamos pior que a Venezuela. Um risco, diga-se, não descartado.
Lula é um homem esperto, espertíssimo. Nada mais que isso.
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23/08/2010
Entre o voto e o churrasco na casa da sogra
 
A questão surrada que se coloca, de tempos em tempos, é a seguinte: voto é direito ou obrigação? Se ele fosse facultativo, seria de melhor qualidade, teriam menos chances de sucesso os "cacarecos" de sempre, melhoraria a qualidade dos Parlamentos?
Por partes. E começando pelo fim.
Não há como melhorar a qualidade do Legislativo - em qualquer nível - sem que se mude o sistema eleitoral vigente. O que temos é uma tralha, que (1) só faz aumentar a distância entre os que deveriam ser representados e os que fazem de conta que os representam, (2) encarecer as eleições, (3) enfraquecer os partidos e (4) facilitar a vida de aventureiros, veteranos e novatos.
Que fique claro: numa roleta viciada, não adianta trocar as peças; o vício prevalece.
Desde a redemocratização, a média de renovação da Câmara dos Deputados é de 50%. Nem por isso sua imagem ante a sociedade melhorou.
Não defendo o voto distrital majoritário para as eleições de deputados e vereadores à toa. Ele dá aos cidadãos condições de escolher melhor seu representante e de fiscalizá-lo. Talvez por isso a maioria dos congressistas o rejeite. Quem quer um cabresto?
O ideal seria que o maior número possível de pessoas se interessasse por política. Mas isso não é o que acontece, no Brasil e no mundo. Em sendo assim, fiscaliza quem quer. Em assim sendo, vota quem quer.
Um de nossos muitos erros é transformar direitos em fardos.
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Os defensores do voto obrigatório costumam dizer que ele é fundamental para a educação política de nosso povo.
Bobagem.
O voto é obrigatório no país desde 1932. Em 1934, ele virou norma constitucional. Lá se vão 78 anos. E parte expressiva dos brasileiros trocaria a ida obrigatória à urna por um churrasco na casa da sogra.
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O voto é facultativo nos seguintes países, entre outros:
Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Japão, Coréia do Sul (na do Norte, tudo é obrigação), Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos...
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