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03/09/2010
A escolha é nossa
 
A diferença entre os currículos de Serra e Dilma é tão gritante que dispensa comentários.
O que está em jogo também já não é mais saber quem vai construir mais escolas ou hospitais.
A questão que importa é saber se queremos um Estado democrático ou se queremos um Estado submetido aos interesses rasteiros de certos grupos políticos.
03/09/2010
No quinto dia, quem será a vítima?
 
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar..."
O texto em itálico, bastante conhecido mundo afora, é de Martin Niemöller, pastor luterano alemão que se transformou em um dos símbolos de resistência ao nazismo. Nunca é demais lembrá-lo. Ainda mais nestes tempos em que a garantia constitucional à privacidade vem sendo sistematicamente desrespeitada.
Fomos todos transformados em candidatos involuntários a Francenildo, Verônica, Eduardo Jorge...
02/09/2010
O que dá para rir...
 
Não são poucos os desafios que o futuro presidente e o novo Congresso Nacional terão pela frente. O mais urgente deles é a modernização - e fortalecimento - de nossas instituições, que não acompanharam a evolução do país nos últimos tempos.
A imagem do Parlamento é a pior possível, muito embora possa piorar ainda mais, nem que seja para contrariar a falação daquele humorista-candidato. As pessoas estão convencidas de que cadeia é coisa para pobre, graças à morosidade da Justiça e à "incompetência" com que os inquéritos são conduzidos. Tantos erros não podem ser fruto apenas da incompetência. A conivência interesseira, não raro, fala mais alto. O Executivo federal é aquela água: cobra muito imposto, mas a saúde não funciona, a educação idem, a segurança ibidem. Parte de sua popularidade vem da desinformação; outra da inegável capacidade que seu comandante tem para engabelar as massas.
Mas, para enfrentar os problemas que precisam ser enfrentados, é preciso contar com um presidente que tenha uma agenda legislativa - algo que o atual, apesar de sua esperteza inconteste, não faz a menor idéia do que se trata. E contar também com um Parlamento disposto a recuperar a credibilidade perdida.
Sei que o atual sistema eleitoral, na prática, quase que impede o eleitor de escolher de forma consciente seus representantes no Legislativo, graças ao número excessivo de candidatos e de legendas. Por isso, defendo o voto distrital majoritário nas eleições de legisladores.
O que não dá é para jogar a toalha, fazer piada, brincar com o voto. Creiam: no Parlamento, há gente séria, de diferentes posições políticas. Gente que merece sua atenção. Para que o riso fácil, não se transforme, amanhã, em pranto sobre o leite derramado.
30/08/2010
O silêncio dos complacentes
 
Lula goza de alta popularidade, como demonstram todas as pesquisas de opinião. Outros tantos já gozaram de popularidade semelhante, por mais ou menos tempo que ele. Em geral, em coisa boa não deu.
Einstein disse: "Meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado."
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É incrível. Mas, por aqui, não se vê indignação contra a violação de sigilos bancários, fiscais, telefônicos...
Somos tontos, desinformados ou coniventes com o arbítrio?
30/08/2010
Vamos falar de caráter?
 
Analistas das mais variadas tendências e interesses são unânimes em afirmar o óbvio: que o próximo presidente da República, seja ele quem for, terá que promover um ajuste fiscal. Ou seja: terá que controlar as despesas públicas correntes, que o governo de Lula, sobretudo no segundo mandato, tratou de levar às alturas - por mero oportunismo eleitoral. Não há saída. Do contrário, o orçamento explode. E este filme ninguém quer ver mais.
Ou controlamos os gastos. Ou aumentamos os impostos. É simples assim.
Você acredita em demiurgo? Em "salvador da pátria"? Em pai e mãe dos pobres? Em alguém que, por falso iluminado, seja capaz de revogar a lei da gravidade? Você acredita em almoço de graça ou em café da manhã "na faixa"? Você acredita que dá para ampliar investimentos ou diminuir impostos ampliando os gastos públicos de forma irresponsável?
Claro que não.
Ora, então, por que a gente teria que acreditar nos "compromissos" de uma candidata que se gaba do que não fez e de currículo acadêmico que jamais teve, mas que foi orientada a lutar, por conta do oportunismo eleitoral, por aquilo que sempre teve ojeriza: o equilíbrio fiscal?
Se ela acreditava na importância de se manter as contas sob controle, se sabia que isso era - é - fundamental, porque não colocou uma tranca na porta da gastança promovida pelo governo do qual se "orgulha" de ter feito parte?
Eleição é mais que discurso, mais que currículos, verdadeiros ou não.
Eleição é, sobretudo, comparação entre o caráter dos candidatos.